segunda-feira, 1 de maio de 2017

Guia A poesia me salvará. Falo constrangida, porque só Jesus Cristo é o Salvador, conforme escreveu um homem - sem coação alguma - atrás de um crucifixo que trouxe de lembrança de Congonhas do Campo. No entanto, repito, a poesia me salvará. Por ela entendo a paixão que Ele teve por nós, morrendo na cruz. Ela me salvará, porque o roxo das flores debruçado na cerca perdoa a moça do seu feio corpo. Nela, a Virgem Maria e os santos consentem no meu caminho apócrifo de entender a palavra pelo seu reverso, captar a mensagem pelo arauto, conforme sejam suas mãos e olhos. Ela me salvará. Não falo aos quatro ventos, porque temo os doutores, a excomunhão e o escândalo dos fracos. A Deus não temo. Que outra coisa ela é senão Sua Face atingida da brutalidade das coisas? Em: Prado, Adélia. Poesia Reunida. São Paulo: Siciliano, 1991.